quarta-feira, 4 de novembro de 2015

No Way Out

    No momento em que os brasileiros nos assombramos com os U$15Milhões que o escroque que presidia a CBF, José Maria Marin, pagou para responder ao processo que corre contra si nos EUA, no conforto do seu lar, um apartamento na Trump Tower, em Nova Iorque, é mais um dia de sorteio da MegaSena acumulada. Nós brasileiros adoramos sonhar, pois não custa nada, acreditamos em milagre e ainda temos o hábito de colocar tudo nas mãos de Deus. Esquecemos que já ganhamos tudo de mão beijada do criador. Um país de dimensões continentais, com clima, fauna e flora generosas e um subsolo de riquezas inigualáveis, além do litoral e a floresta mais dadivosos do planeta. O que fizemos com isso?

    Pois o sorteio da loteria deve pagar o equivalente a 10Milhões de Dólares, quantia inferior à que o ladrão de medalhas desembolsou pelo direito de ficar em casa antes de ser condenado pela justiça americana. Cabe colocar na balança estes valores e tentar entender o que é o sonho de enriquecer, contra o que é ser rico de verdade? Afinal o tão sonhado prêmio acumulado equivale a 2/3 daquilo que um ladrãozinho que ficou na presidência da CBF pouco mais de 3 anos, conseguiu juntar entre desvios e propinas, sem falar o quanto custa um apartamento em andar alto no endereço mais caro de Manhattan, ou o quanto ele está gastando em advogados para sua defesa.

    Dia destes um gerente de estatal entregou ao Ministério Público Federal o equivalente a U$ 45Milhões, desviados no esquema de propinas que ficou famoso como Petrolão. Aí é que está o ponto mais importante da operação Lava-Jato: se um simples gerente da Petrobras entrega mais de 150Milhões de Reais pra negociar uma pena mais branda, quanto dinheiro não foi surrupiado da empresa pela diretoria? Se esse volume quase infinito de grana advém de propinas, quanto está ganhando quem paga a propina?

    Pela primeira vez nesta nação, a justiça olhou para o lado certo. A menor importância é daquele intermediário que, mesmo levando substancial quantia, não passa de peixe pequeno. Olhando para cima, condenando o corruptor, como fez com Marcelo Odebrecht e Sergio Cunha Mendes, herdeiros dirigentes das maiores empreiteiras da construção civil brasileira. É aí que podemos avaliar o verdadeiro patamar da riqueza em nosso país. É entre aqueles que fazem dos governantes e mandantes seus lacaios, regando as mãos sujas daqueles com as migalhas das fortunas amealhadas dos cofres públicos.

    O Zézinho das Medalhas não passa de um lacaio a serviço das mega-empresas que comandam o esporte mundial, tanto quanto o Molusco não passa de um títere nas mãos dos empreiteiros. Gente que age como se tivesse descoberto o Brasil, onde basta abater as árvores nativas e saquear o subsolo e voltar correndo com o butim arrecadado. Esqueceram estes de responder uma pequena questão: voltar pra onde caras-pálidas? Se nem na Suíça podem mais esconder o fruto do roubo, melhor se lembrarem de que estamos todos na mesma barca e nosso lar é aqui. Não tem pra onde correr!