quinta-feira, 30 de julho de 2015

Réchitégui De Roupas Íntimas

 Hoje é um dos dias que mais me agrada nas redes sociais, o #LingerieDay quando meninas, a maioria de tenra idade, se exibe ao mundo daquele jeito que os namorados demoram muuuuito tempo pra conseguirem ver, quando conseguem. Um dia que só perde para o #DiaDoHomem quando meninas de todo o país prometem pagar boquetes pelo Brasil afora. A grande diferença entre as fotos que se vê nas páginas da "réchitégui" e aquelas conhecidas das revistas masculinas ou portais pouco louváveis de internet, é que a imensa maioria é de amadoras.
Aliás o número de amadoras no mercado da sacanagem, depois das redes virtuais, aumentou tanto que as GPs(forma politicamente correta atual para putas) estão se unindo a taxistas para protestar contra a concorrência que consideram desleal, depois que os motoristas decidiram se bater contra o Über.
Trata-se de uma das formas de expressão destes anos da 2ª década, do 1º século, do 3º milênio. Meninas que se exibem; ainda por cima com o aviso “APENAS EXIBICIONISTA”. Se vc acha isso difícil de entender, cautela;  vc pode estar ultrapassado. As meninas dos anos 2K têm os mesmos direitos que os meninos tinham no passado. Bebem tanto quanto eles, têm vida sexual ativa como eles e se exibem muuuito mais que eles, o que não faz delas putinhas; isso é reservado às GPs. É pecado? Provavelmente, mas numa sociedade que colocou a religião num plano inferior, quem se importa? É imoral? Num país onde se rouba Bilhões do dinheiro que resolveria os problemas de infra-estrutura, saúde, educação e segurança, fica difícil julgar o que é moral ou não, especialmente para cidadãos em formação como os jovens. É legal? Bem, eu acho legal, mas se pegarmos a forma da lei, num país onde fanáticos relativizam o trabalho de juízes que exigem o cumprimento da lei e colocam corruptos na cadeia, o que é legal ou deixa de ser é tão permeável quanto  membrana de celofane(pra quem ainda lembra das aulas de biologia).

É bonito? Ooh gente… bonito sou eu depois do 3º uísque(que vc bebe). É lindo ver meninas de todas as idades -sim tem maduras que pegam carona- cores e formatos democratizando suas intimidades vestindo roupas bem menos explícitas que as usadas no carnaval ou mesmo na praia. Portanto, fica mais fácil tentar compreender o apelo que vêm das redes sociais, do que perder o tempo esbravejando pela “moral e bons costumes”. Isso vai acontecer debaixo do seu nariz, queira você ou não. Não quer dizer que você deva estimular sua filinha com menos de 18 a sair se exibindo pela internet. Apenas tenha certeza que ela não é mais virgem, que faz coisas entre 4 paredes que provavelmente você nem sonhou em fazer com a mãe dela e que isso não faz dela uma devassa; apenas uma pessoa eroticamente mais resolvida que você.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Literatura E Os Pecados Da Carne

Enquanto advogados bem intencionados vão ao inferno, por mentirem, jornalistas bem intencionados foram ao Chalé da Praça 15 no cair da noite desta terça-feira pra cumprimentar e pegar um autógrafo do decano Flavio Dutra, lançando suas Crônicas Da Mesa Ao Lado. Poucos textos tem o fino humor do Flavio e poucos jornalistas agregam o respeito e amizade de tantas gentes das mais diferentes origens e procedências. Só de político 3 estrelas, o que tinha de bacana na fila do salão, dava um programa inteiro de CQC. Uma fila de respeito, de peso e de conteúdo, além de tamanho e duração. Escritor conhecido sempre tem bicha graúda em lançamento. Um alento praquele amigo meu que passa bem cedo nos lançamentos, pega o autógrafo, sai correndo para um motel, onde se refestela por horas a fio com alguma mariposa vivaz, chegando em casa perto da meia-noite, com cara emburrada e reclamando do tamanho e demora da fila de autógrafos.
Já eu, por viver só, não preciso de subterfúgios para  me entregar aos prazeres da carne e, após os cumprimentos e galhofas da celebração literária de ontem, tive de me atirar na mais pura e sórdida libação de fim de inverno: o mocotó do StarkBierZeit(a época de tomar cervejas fortes, em alemão). Uma promoção do Apolinário Bar, com o apoio gastrocultural do BurgoMestre Sady Homrich, para executar, degustar e se empanturrar com a receita e co-pilotagem de Fábio Franck e mesa de pães da chef Jaque. A cerveja Emigrator, da Abadessa fazia a harmonização que justificava o evento que, acreditem, ainda apresentou sobremesa depois de já estarmos todos mais estufados que urso ao hibernar.
A essas alturas, quando já a mulherada se retirou pra ir assistir Master Chef em casa e os baguais se puseram no pátio a queimar seus puros, aquele momento em que as verdades não aparentes aparecem, comecei a pensar que eu devia ficar alguns minutos de pé e depois me retirar pra tentar jiboiar em casa, mas nem terminei de mencionar minha covardia quando o inoxidável Sady contestou: “não sem antes provar do Aquavit artesanal que eu trouxe”. Isso é para os fortes, decididamente. Foi o tempo de exercitar o abdome estufado com muitas risadas causadas pelas confidencias dos comensais restantes no já "petit comité", que lá vem o Burgomestre com uma garrafa que parece uma pedra de gelo e passa a servir copetas com um líquido viscoso que dali escorria. 

Mocotó, cerveja, doce, charutos e álcool. Álcool temperado e com um sabor incrível, mas álcool. Era tudo o que eu precisava pra dar a noite por encerrada e assim foi. Sexo? Vocês perderam o juízo? Se eu desse uma mínima chacoalhada, entupido do jeito que estava, voltariam as enchentes sobre a região metropolitana de Porto Alegre em questão de segundos. Seria uma catástrofe da qual nem a Defesa Civil poderia livrar a população. Cama e 18 travesseiros, pois é vida que segue.

terça-feira, 28 de julho de 2015

Valerosos Caramingüeites

Entrei em contato com um agente de viagens conhecido, pois tinha dúvidas sobre qual a melhor forma de dinheiro pra se usar em uma breve viagem à vizinha Argentina, se Reais, Pesos, Dolar, cartão de débito etc. Ele foi taxativo: Dolar. Era quarta, pra quinta-feira dia 15 e ele me avisa que a cotação da moeda do Tio Sam está em R$ 3,33. Brinquei que a meia-dúzia de caraminguás que podia comprar praquela aventura não justificavam que eu saísse correndo, que a cotação já estava alta e tal e ele comentou que se necessário deixaria o valor separado garantindo o preço contratado, mas que não deixasse para amanhã, pois ninguém sabe o que pode acontecer. Pelo sim, pelo não, comprei meus caramingüeites naquela tarde e garanti o passeio. Relaxei e nem quis mais saber de notícias, pois só viajaria ao fim do dia seguinte.
Assim nos fomos, eu e o caçula a bordo do novíssimo EMB 90 da Aerolineas, ao que o piá me pergunta por que as companhias aéreas brasileiras não usavam aquela aeronave, tão mais confortável e silenciosa que Boeings e Airbus. Nem tinha me dado conta. Azul, Aerolineas, Austral e Lan voam com aviões produzidos na Embraer, enquanto Gol e Tam se negam a usar o produto nacional. Tentei evitar a comparação desagradável com o fato de a Presidência da República do Brasil praticar o mesmo, já que o Air Force 51 é um Airbus e seu antecessor, o Sucatão, era um Boeing. Sem resposta a pergunta ficou.
Desembarcamos no Aeroparque ao começo da noite, fui imediatamente fazer um câmbio pra carregar algum “efectivo” no bolso e, na cabine descubro que era mais vantajoso usar Reais. Achei estranho mas fiz o mais lógico comprando Pesos com alguns Reais que tinha para a volta. Só precisava o suficiente para o taxi e a janta mesmo. O transporte até Belgrano ficou em 130 Pesos, contra os 110 acertados com o “remis”, que não esperou os 50min de atraso do voo; uma diferença em torno dos 5 Pilas. Para jantar, saboreamos em uma parrilla perto de casa uma carne que chamam de “Entraña” que entendi ser a parte sem gordura do vazio, do mesmo jeito que preparo em casa, só que estava melhor. Com “papas fritas”, “gaseosa y vino”, saiu por 220 Pesos. Viajados, alimentados e felizes por descobrir que naquela cidade maravilhosa nosso dinheiro valia bem mais do que por aqui.
Dia seguinte, primeira coisa, pegamos o metrô rumo ao centro da cidade, onde o câmbio é mais generoso, onde descobrimos que o Dolar azul(sim, os hermanos ainda transacionam com doletas verdes, só que pagam menos por estas) equivalia 14 locais. Fizeram as contas? Com 10 pagava o taxi e com 20 a janta, com direito a troco em ambas. Era domingo e dali seguimos para San Telmo que é dia de feira. O clima de céu aberto ajudava bastante e as bancas deixavam claro que preferiam Reais(4x1) e Dolares(14x1) nas transações. Naquele domingo houve ainda eleições nas capitais e em Buenos Aires os peronistas seguem alijados da administração pela 3ª vez consecutiva, lembrando que se trata do 2º posto mais importante da República do Prata.

Uma semana maravilhosa onde caminhamos até quase esfolar os pés, já que não vimos uma nuvem no céu, enquanto Porto Alegre sucumbia sob as águas de uma chuva constante e impiedosa. Um tempo excelente para arejar, comer medias-lunas, carnes e panchos maravilhosos  dar muita risada e esquecer um pouco do mau humor vigente na “terra brasilis”. Até porque ao desembarcarmos de volta descobrimos que o Dolar havia disparado e passado do valor que paguei, para R$ 3,47 e que, na segunda-feira bateu a casa dos 3,70. Em suma: parece que o Real acabou e já está frente à moeda azul dos americanos da mesma forma que encontramos os Pesos argentinos em relação ao dinheiro que nos custou tão caro estabilizar e voltar a ter poder de compra e poupança. Triste Brasil; matamos o futuro em apenas duas décadas.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Da Feira Direto Ao Coração

“Foco, foco, foco… vamos manter o foco”! Confesso que fiquei impressionado ao ouvir isso na feira. Não, eu não estava em algum evento empresarial ou de “coaching” em alguma federação patronal, mas em pleno canteiro central da av. Cascatinha, onde faço feira nos sábados.
Tem chovido muito, os vegetais estão feios e escassos com preços pela hora da morte -uns culpam São Pedro, outros o PT- e não foi diferente no começo do último fim de semana. Teve chuva pela manhã seguida de uma razoável estiada que me possibilitou até uma caminhada no parque depois das compras, além de abrir as janelas e arejar a casa, que já começava a apresentar sinais de bolor pelas paredes. 
Voltando ao foco -o meu no argumento do texto- havia bastante gente tentando gastar. Comi um pastel e bebi meu caldo-de-cana na feira ao fim da manhã, enquanto aguardava o Antonio Gornatti que foi até aquele lado da cidade para buscar agasalhos em donativo e distribuir aos desabrigados da enchente; um sujeito especial que gasta suas horas vagas auxiliando gente que muitas vezes nem vai conhecer. Em seguida me pus a passo entre as bancas e estava ruim de comprar alimentos frescos. Os tomates, desde que chegou este inverno ainda não me fizeram deixar de comprar os molhos e enlatados importados, que conseguem chegar aqui a preço mais convidativo que o produto trazido da horta. As bananas estão mais repulsivas que eu quando saio da cama pela manhã e a couve está chegando em folhas do tamanho de louro, enquanto que louro não há. Mesmo assim, lá estávamos, os consumidores, ávidos por fazermos compras, mas os vendedores, cansados por acordarem de madrugada, montarem suas barracas e passarem as 3 primeiras horas de seu trabalho embaixo de chuva e quase sem clientes, já haviam desligado os disjuntores. Sabe, perda total de saco e esperança? Pois é, já nem se davam conta de que centenas de clientes chegaram de repente, doidinhos pra gastarem o que tinha nas carteiras. 
Foi quando o “manager” de uma dessas barracas começou a gritar com os colegas: “foco, foco, vamos manter o foco…” Comecei a rir sozinho pensando na possibilidade de estarem vendendo foco na feira, posto que as óticas perderam a exclusividade no produto para os camelôs, mas percebi que era apenas um “coach feirante” tentando aproveitar a derradeira oportunidade de diminuir o prejuízo daquela manhã, quiçá da semana. Lembrei do que diz Dado Schneider em suas palestras de otimização profissional, parafraseando Delfim Netto: “pior que a realidade, só as perspectivas”.

Do fundo do coração vem o desejo de que, ao melhor estilo das empresas de ponta-de-lança do marketing e grandes negócios, o “coach manager” da tenda de horti-frutis tenha conseguido recuperar a estima e capacidade vendedora de seus colaboradores na feira, depois de duas semanas tentando vender produtos abaixo do padrão e acima do preço a escassos clientes. Ao mesmo tempo que o coração se enche de esperança ao lembrar que conheço gente capaz de abandonar sua zona de conforto pelo simples sentimento de cumprir um dever social com quem precisava mais naquele momento.