terça-feira, 18 de abril de 2017

O Marionete e O Mestre na Coxia

   Militando há anos pelo fim desse sistema que assola o Brasil, que viciou todas as possibilidades de chegar ao poder através do voto, tenho a convicção da existência de um cérebro maligno puxando as cordinhas. Especialmente depois de 2002, mas minha certeza de que o jogo sempre está jogado vem de uma década antes, desde a fatídica entrevista do então ministro da Fazenda, Rubens Ricúpero, ao sobrinho jornalista Carlos Monforte, na TV Globo, onde confidências impublicáveis vazaram no ar através da parabólicas de satélites, cujas programações não acompanhavam os "breakes" comerciais das grades da TV aberta. Aquilo não tinha como ter ocorrido por acaso. Alguém pensou na possibilidade e de como explorar o fato.

   Desde a semana passada o Brasil inteiro já sabe quem era o cérebro que pensava no lugar de Lula. O sindicalista pernambucano pode ser um falastrão genial, com absoluto controle sobre as massas e um psicopata típico capaz de mentir em todas as ocasiões, sem qualquer constrangimento, mas seu forte não são raciocínio e planejamento. Isso é típico de quem não aparece em cena. Não é o boneco: é o ventríloquo. Ou melhor ainda, é quem está na coxia puxando as cordinhas enquanto o boneco canta, dança e sapateia, encantando e iludindo a platéia.

   A colaboração premiada de Emílio Odebrecht escancara ao país que até leis, na forma de Medidas Provisórias, eram criadas dentro da empreiteira baiana. Enquanto o fantoche de língua presa vociferava e cuspia perdigotos sobre a oposição, era um empresário malévolo quem puxava os cordões ditando como e pra onde o dinheiro dos pagadores de impostos devia andar. O que teve sequência no governo da sucessora do mesmo partido. Ou seja: ao longo de 13 anos o país foi governado através de um propinoduto, por um cérebro do mal que não tinha nada a perder, só ganhou. Ganhou muito. Bilhões e bilhões de Reais. Fez o que quis com a Petrobras e o BNDES.

   O país agora que se prepare para apertar o cinto, pois vai levar anos até recuperar a organização da economia, da mesma forma que a Lava-Jato está pondo bandidos na cadeia e recuperando Bilhões de Reais, no velho formato da justiça, que tarda mas não falha.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

O Ovo de Uma Nova Era?

   Se fosse planejado não seria tão bem feito. Tudo começou com o Tamagotchi. O sonho de 10 entre 10 crianças da década de 90, do século passado. A primeira porrinhola eletrônica que não saía das mãos da gurizada. Pra quem não se lembra, ou não viveu à época era uma espécie de ovo eletrônico que cabia nas mãos, com uma telinha virtual onde se criava um ser chamado Tamagotchi. Tinha que alimentar, cuidar, botar pra dormir, acordar etc. Lembro da primeira vez que minha filha comentou soluçando que deixou seu Tamagotchi morrer por falta de cuidado. Acho que isso a ensinou uma série de coisas a respeito da responsabilidade sobre quem se cativa(desculpa essa Exupéry), tanto que o catiorrineo dela, @Babaganush o cão celebridade -instagram #BabaAndJojo - é tratado com toda a atenção do mundo e leva uma vida invejável sob seus cuidados.

   Já existiam as agendas eletrônicas e chegavam os games portáteis. Eu não me desgrudava de minha agenda eletrônica, fiel ferramenta pra todas as horas. Na redação e em casa já gastava meu tempo no PC, mas quem andava comigo era aquele portátil que me ajudava horrores. Uma vez, o ano era 1994, os amigos montaram uma cervejaria mto bem sucedida, onde aconteciam os melhores shows musicais locais. Num belo dia trouxeram o mago da guitarra, Celso Blues Boy, para um show, mas ele ficou 3 dias, pois descobriu que tinha uma filha por aqui -essas coisas que acontecem com artista que tá sempre na estrada. Depois de algumas horas e cervejas, batendo papo, ele notou que eu fazia muitas perguntas sobre a vida dele e intimou: “vem cá, tá me entrevistando? Pq se tiver, depois de eu contar minha vida, não acha que deveria anotar o que estou falando?” Dei uma baita gargalhada ao mesmo tempo que tirava as mãos debaixo da mesa, mostrando a agenda em minhas mãos: “tá td registrado aqui, meu artista”. Ele ficou impressionado, pois não era praxe na época, ao que comentei: “destreza meu amigo, vc usa a sua na alma e cordas da guitarra, eu uso a minha nas teclas onde escrevo”. Tem gente que acha que esse hábito surgiu com os smartphones uma década depois…

   Os celulares dos anos 90 eram basicamente telefones com pouquíssimas funcionalidades a mais. Só passaram a ter alguma importância além com o advento das centrais de telefonia digitais. Não eram ferramentas que se usasse além da necessidade. Ao mesmo tempo os games portáteis, estes já não saíam das mãos dos adolescentes, aquela geração que se acostumou com o Tamagotchi sempre à mão. Ainda não havia a conectividade da internet onipresente de hj, mas o hábito dessa geração foi desenvolvendo como cultura, até a chegada dos smartphones e, a partir daí, conhecemos bem o desenrolar da história.



   Pois qual não foi minha supresa esta semana quando descubro que o Tamagotchi voltou! Isso mesmo; 20 anos depois a Bandai, fabricante do pet digital anuncia o retorno do predecessor da cultura que levou toda uma geração a passar todas as horas em que está acordada com um dispositivo portátil digital às mãos. Estaremos vivendo o fechamento de um ciclo? Será que, após o retorno do Tamagotchi surgirá uma nova era onde as novas gerações não mais ficarão mergulhadas nas palmas de suas mãos e voltarão a erguer as cabeças e olhar nos olhos dos outros?

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Essa a Globo Perdeu


   Ao longo de 3 fins de semana, um atrás do outro, a mais importante empresa de comunicação do Brasil cavou um buraco, azulejou, calafetou e, quando aquela piscina da profundidade de um poço estava finalmente pronta, parece que o arquiteto finalmente olhou pra cima e só aí notou que esqueceu de colocar uma escada pra sair dali. Uma obra completa de talento e quase perfeição que iniciou com a condenação unilateral de um artista contratado para ser jurado/treinador do programa The Voice Kids por uma denúncia não julgada, retirando o cantor sertanejo Victor do programa depois deste estar gravado e editando o episódio como se ele lá não estivesse, ou não tivesse participado.

   Na semana seguinte, outro julgamento sumário que começou na noite de sexta-feira e culminou com a lamentável publicação de “notas oficiais” por parte da rede de televisão e um de seus principais artistas contratados, o ícone do elenco de protagonistas masculinos das últimas décadas, José Mayer. A tragédia só podia ficar pior e ficou, com uma daquelas notas sendo imputada ao galã, que foi jogado aos leões em praça pública, para ser devorado, esquartejado e mastigado, por gladiadoras que vestiam a camiseta “Mexeu com uma, mexeu com todas”.

   O que a antiga toda-poderosa da comunicação de massas no Brasil não podia imaginar é que entre as criadoras da “hashtag” pudesse haver gente que saiba somar 1 + 1 e capaz de entender que o resultado seja = 2. O grande consumidor de conteúdo televisivo já compreendeu que hj se “fala de volta” com a televisão e quando esta se fizer de surda, as mídias sociais mostrarão o tamanho do equívoco. Criou-se então a “hashtag” #GloboApoiaViolência que, em pouco mais de 24horas conquistou o país e o globo(com trocadilho sim). O resultado foi um TT - Trending Topics do Twitter mais visualizado, comentado e retuitado do mundo com dezenas de milhares de pessoas engajadas em obrigar a Vênus Platinada a liquidar o último personagem do sexo masculino na edição 2017 do Reality Show BBB.

   Alguém com capacidade de concatenar ideias, passou adiante uma cena retirada do programa em que o médico Marcos Harter colocava sua namorada contra a parede, ou uma porta, segurava com força seu braço, gritava com ela e colocava o dedo na sua cara. Acrescentou ao twit o link para o Ministério Público, exigindo a interdição na gravação do BBB e a devida apuração dos fatos. Pois bem, mais de 50 mil twiteiros seguiram a sugestão e o MP se viu obrigado a entrar em ação, determinando que a delegada especial da mulher de Jacarepaguá, região onde se situa o PROJAC, parasse o programa. A lei entrou em ação por demanda popular e o “agressor” foi enquadrado, não restando à Globo, senão, a alternativa de expulsar o misógino falastrão. 


   Parece que a Globo não entendeu que essa geração que cresceu assistindo o Big Brother tb passou este tempo vivendo a divertida e agitada vida virtual das redes sociais. Essa gente que não se contenta em ligar para um número pago e simplesmente votar para livrar seu candidato, ou ferrar com outro, sabe o poder que têm na mão e fez valer a força do seu grito e sua exigência. A Globo não tinha escada para sair do poço que tão cuidadosamente azulejou e teve de ceder para conseguir tentar sair lá do fundo e tentar convencer a opinião pública de que td está na plena normalidade. Ao tentar agradar a todos, esqueceu que a audiência construída ao longo de décadas de uma programação socialmente corrosiva, cobraria seu preço. O preço cobrado foi alto e, mesmo que dê audiência, os patrocinadores pedirão aos analistas de mídias sociais relatórios qualitativos sobre os riscos do apoio de suas marcas à programação global.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Amor e Guerra em Casablanca

   Vc se atreveria a recontar a história de Casablanca? Claro que não, filmes definitivos não precisam de novas versões. Apenas podem ser recriados, mesmo que seja impossível inventar um novo Humphrey Bogart e uma nova Ingrid Bergman, sempre se pode chamar um roteirista talentoso (Steven Knight) para contar uma nova história de amor que inicie em Casablanca, durante a 2ª Guerra e se encerre em frente a um pequeno avião, na chuva e com um forte componente dramático. Spoiler, como diriam meus filhos? No, até pq não vou contar o fim de Aliados, pela intensidade da cena que Robert Zemeckis soube recriar, mesmo que em cores, num clima bem noir. 

   Quando não se tem o charme viril de Bogey, pode-se sempre apelar para o olhar triste do homem mais desejado de Hollywood e Brad Pit surpreende no papel dramático, sorrindo uma única vez em todo filme. E para o papel da mais estonteante sueca da história cinematográfica, busca-se outra atriz européia, com olhar(e que olhar) e boca tão apaixonantes quanto Bergman, a única na história a ganhar um Oscar por uma perfórmance totalmente feita em francês, a parisiense Marion Cotilliard. Figurino, luz e fotografia impecáveis ajudam mto a compor o clima de Aliados como uma alternativa interessante para essa história de amor que inicia em Casablanca e finaliza no aeródromo, com gosto amargo, que Hollywood tenta adoçar ao longo de 2 minutos desnecessários após a história chegar ao fim.

   O melhor, talvez, de assistir um drama de amor e guerra em meio ao Carnaval, é que a escolha do filme foi do caçula, que ao sairmos do GNC Iguatemi, enquanto saboreávamos um daqueles sovertes absurdos da Troppo Buonno e ele disse: “gostei”.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Servidor Público?

   Voltava pra casa pela Azenha, eram pouco mais de 18h e o sinal amarelou ali onde confluem José de Alencar e Carlos Barbosa. Optei por parar no sinal que fechava, quando notei que, atrás do poste na calçada, escondia-se um azulzinho com um bloco de notas e uma caneta na mão. Além de não prestar qualquer serviço a quem paga o seu salário, o fiscal de trânsito ao abrir a passagem de um dos 3 tempos do semáforo, correu para o poste em frente à faixa de pedestres e apertou repetidas vezes o botão para avermelhar o sinal, parar o trânsito ainda mais na hora do “rush” e poder canetear ainda mais gente que, ao contrário de mim, não páram ou tentam aproveitar aquele átimo entre o amarelo e o vermelho.
   Ninguém na minha cidade -fora quem fatura com isso- gosta dos fiscais da EPTC. Elementos sustentados pela população para nos achacar e que não prestam qualquer serviço à comunidade. Que ainda por cima se acham no direito de complicar ainda mais o trânsito, em sua hora mais difícil e congestionada, para poderem aplicar mais multas.


   Estamos em período eleitoral e tem um candidato aí que diz com todas as letras: “vou demitir toda a diretoria da EPTC se eleito for e essa política do achaque ao pagador de impostos vai terminar e que os fiscais passarão a atender à população”. Pra mim me serve

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Lar doce lar

   Vida de jornalista é a confirmação do adágio: “de tédio não se morre”.  Assim foram meus 45 dias recentes, onde algo em torno de 7.500km passaram sob meus pés, numa intensidade de Cataratas do Iguaçu em dia de cheia. Acordando antes das galinhas e sem horário pra ir dormir; aproveitando para comer como se fosse a derradeira refeição sempre que houve a oportunidade, pois não se sabe quando terá tempo para a outra. Dormindo em lugares que nem sempre pode-se recomendar, tomando banho onde a água quente torna-se fria no momento em que se está ensaboado. Uma alegria sem par.

   E por que fazemos isso? Porque está no sangue. Paulo Francis dizia que jornalismo não é profissão, é carreira. Segue quem tem o que é necessário pra encarar a missão e ainda gostar disso. Chega-se ao fim da missão com a saúde fragilizada, com dores pelo corpo, fora do peso e chutando lata, mas satisfeito. Sim satisfeito porque conseguiu dar o melhor de si dentro das possibilidades apresentadas. 

   Aí o jornalista volta pra casa. Consegue, finalmente após uma eternidade, usar a própria chave para abrir a porta do reduto onde será sua posada. Agradece porque ainda tem luz, internet e chuveiro quente, arranca da cama a roupa que estava lá cheia de poeira e coloca uma limpa, bebe uma dose da sua bebida favorita e, antes de desmaiar comenta consigo mesmo: LAR DOCE LAR! 


Mesmo quem leva uma vida desimpedida têm algum tipo de raiz

domingo, 7 de agosto de 2016

Pra divertir é fundamental distrair

  Em momentos terminais como os que vivemos e com o acesso pleno favorecido pelas mídias sociais, parece que todos têm opinião e, pior, que precisam compartilhar o que acham que pensam. Em primeiro lugar, não é verdade que todos tenham opinião: a maioria apenas repete algo que ouviu falar, ou leu por aí. Logo, nesse caso a opinião não é sua, mas de outrem. Em segundo lugar, não é obrigatório sair por aí dando “sua” opinião sobre tudo. Ok, se lhe pedirem, contribua, mas caso não haja requisição, aguarde o momento adequado, ou simplesmente guarde. Para si.

  A febre mundial do momento é um brinquedo. Um jogo eletrônico que se joga e compartilha “online”, chamado “Pokemon Go”. Quando eu era criança, entre as coisas que mais gostava de ganhar como presente eram os jogos. Pelo simples fato que um jogo se joga com alguém. Seu uso se trata de um momento para compartilhar alegrias, regras, astúcias e risadas. Momentos lúdicos, entende? Nada além disso.

  Fica difícil entender porque tanta gente parece compreender importante negar o tal brinquedo. Como se essa negação fosse arranhar o sucesso que o jogo faz, mundo afora. Não gosta de Pokemon Go? Não baixa o app, não joga. Simples assim. Quem tá preocupado com sua opinião sobre o brinquedo?

  Ah, em tempo: é um passatempo divertidíssimo e que realmente distrai. Por isso tantas notícias de gente que se deu mal em função da distração. Tipo ontem no super mercado, eu puxei o celular para pedir carga no número de um dos filhos e, quando a caixa me viu com o cel em punho perguntou se eu estava caçando dragãozinho? Eu perguntei a que horas ele saía, ela riu muito e comentou que tinha muita gente caçando Pokémons ali. Liguei o app imediatamente e tinha uma cobra cascavel roxa chamada Ekan bem no colo da guria. A empacotadora fez aquela cara de nojo dos que negam a possibilidade do brinquedo ser divertido, torceu o nariz, mas eu mostrei a ela que realmente tinha uma cobra no colo da colega e ela começou a dar risadas. Mostrei a ela como se captura o monstrinho e ela ficou completamente distraída -esse é o intuito da diversão. Quando olhei para o meu carrinho, tinha o dobro de compras do que eu havia adquirido. A empacotadora ficou tão distraída que colocou as compras do próximo cliente no meu carrinho. O dono dos produtos, atrás de mim, de braços cruzados, dando risada da situação comentando que o jogo era mesmo perigoso. Todos rindo. É isso, apenas um brinquedo que distrai a gente. Tanto que acabei esquecendo de por os créditos no celular do caçula. Foi mal aí, filho…