sábado, 6 de janeiro de 2018

O Espião Que Mamava

Brasileiro ama uma teoria da conspiração. Quando não tem uma, cria assim do nada. Se houver ingredientes estranhos no assunto, aí então é batata. Pois mto bem, vocês sabem qual o maior negócio ilícito do planeta? Quem respondeu o tráfico ganhou uma bala gasosa. Sim, o tráfico, seja de armas, de drogas, animais silvestres ou de pessoas é, de longe, o maior negócio ilegal do planeta. Acreditem: o tráfico de seres humanos rende tanto quanto drogas. 

   No ano passado o jornal El País, de Montevideo, contou a história de um cubano de 75 anos de idade, residente na capital uruguaia, que foi investigado e criminalmente julgado por 12 compatriotas que ele fez sairem do feudo insular da família Castro e chegarem até a Banda Oriental, numa viagem maluca que inicia em Havana, segue de avião à Guiana, onde os fugitivos vão de taxi até a divisa com o Brasil, são atravessados de barco por coyotes, rumam a Boa Vista, de onde pegam avião para Manaus ou Brasilia, partindo dali para São Paulo, onde finalmente pegam uma aeronave para Porto Alegre, desembarcam no Salgado Filho e, de taxi, rumam à fronteira do Uruguai, onde entram a pé e pedem asilo.

   O custo da operação fica entre U$5mil e 8mil Dólares por pessoa, é pago a vista, em espécie e o imigrante fica legalizado no Uy enquanto a burocracia local tramita seu visto de residente, o que pode levar até um ano, em função da quantidade de cubanos que chegam. Foram quase 1.600 em 2017. Existe até uma associação de imigrantes da ilha de Fidel, cuja presidente já ocupa o cargo há 10 anos. A professora de danças caribenhas diz que os protegidos por sua instituição são em torno de 1.500, mas é uma população flutuante: “Uruguai não é destino, mas passagem. A maioria espera pela legalização e segue para os EUA”. 

   Antes que insiram nesta panela, treinamento de militância profissional que estaria por estas bandas preparando atentados para o dia 24/1 quando o TRF4 vai julgar Lula em Porto Alegre, é fundamental lembrar que os cubanos mortos no acidente de trânsito em Santa Vitória do Palmar, a minutos de chegarem à fronteira, vinham num grupo de 8 pessoas. Entre os taxis brancos do aeroporto havia somente um Cobalt que aceita corridas com 4 passageiros, pq não tinha a adaptação para rodar a gás, sobrando mais espaço, especialmente para bagagens. Tratava-se de um carro totalmente sem condições de manutenção e uso para enfrentar os mil quilômetros de viagem por nossas estradas. As outras 4 pessoas, 3 adultos e um bebê -por isso pode ser transportada um quarto passageiro- embarcaram numa Spin. O motorista da caminhonete determinou ao colega do Cobalt que este teria de viajar atrás dele, pois era inexperiente no trajeto. Só que, no extremo sul, a Spin precisou parar no acostamento pq o bebê estava vomitando e foi quando o segundo taxi tocou direto, passando à frente. Depois de resolvido o inconveniente digestivo da criança, a Spin voltou a tocar, até que alcançou o parceiro e, pouco antes de o ultrapassar novamente, aconteceu o choque que vitimou 7 pessoas, incluindo o taxista de Porto Alegre.

   O grande mote para quem prefere acreditar na teoria da conspiração é de que os cubanos sobreviventes, que estavam na Spin não ficaram para socorrer seus companheiros de viagem, em uma nítida atitude de espiões. Na verdade eram clandestinos, com mto dinheiro vivo na bagagem, que não podiam dar explicações às autoridades locais de como ali chegaram sem terem vistos nos passaportes. Além do que, uma pessoa, o representante da organização clandestina de tráfico, os aguardava na fronteira e eles precisavam chegar dentro do horário combinado. Agentes internacionais a serviço do terrorismo NÃO viajam com bebês, a menos que este fosse o “espião que mamava”. Assim sendo, exigiram que o motorista que fora muuuuito bem pago em espécie, tocasse até a fronteira, onde os entregou ao traficante, retornando após para tentar fazer algo pelo colega que ficou no caminho.


   Sim, existe espaço nesta receita para acrescentarmos ingredientes que configuram uma boa Teoria da Conspiração, afinal Lula e Cuba são td a ver, mas parece que eram apenas refugiados, fugindo do inferno, com direito a uma parada no generoso purgatório que lhes oferece o Uruguai, para depois irem em busca do céu e suas famílias, nos EUA. Ou não!

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

David Cassidy, La Migra e Uma Má Ideia


Vida de correspondente de guerra nem sempre é fácil. Situação preteou, cerco apertou e, saída pela esquerda, usando o Plano B, uma passagem comprada no paralelo em Manágua que trazia no bolso para alguma emergência. Corremos de madrugada para o aeroporto de San Salvador, eu e meu repórter fotográfico, ao sabermos do sumiço de 2 outros correspondentes. Ao amanhecer partia o trijato da Lanica, rumo à Cidade do México onde poderíamos relaxar e beber margueritas assistindo partidas de Hay-Alay.

Poderíamos, caso meu ilustre fotógrafo não tivesse a infantil ideia de subtrair um colete salva-vidas inflável que residia sob os bancos dos Boeings de antigamente. Eu só fiquei sabendo do deslize quando já era tarde demais. Estávamos em solo, dentro do aeroporto, onde acontecia um tumulto inimaginável causado pela chegada simultânea do maior fenômeno pop da época, em outro voo. Milhares de mexicanas adolescentes ensandecidas aguardavam aos gritos e prantos por David Cassidy, o cantor loirinho e bonitinho do seriado televisivo Família Dó Ré Mi. Ao passarmos pelo rebuliço causado pelas jovens endemoniadas, chegamos ao balcão de imigração, a não recomendável “La Migra Cucaracha”, onde apontaram para nossas mochilas exigindo ver o que havia dentro delas. Tudo OK com a minha e abriram a do fotógrafo e a primeira coisa a sair lá de dentro é o colete salva-vidas com o timbre da Lanica. O sujeito gordo, de cabelo gosmento, bigode espetado e traje escuro perguntou: “que es esto?” Eu espantado repeti a pergunta e meu ilustre colega se entregou dizendo que subtraiu do avião. Vai sair caro.

Fui obrigado a sair da sala enquanto pensava numa maneira de livrar o amigo daquele enrosco, pois nenhum de nós carregava dinheiro pra aliviar a encrenca. Antes de sair notei que do outro lado da sala havia uma porta para o saguão de saída do aeroporto. De volta ao tumulto assustador, reparo que David Cassidy vem chegando com 2 seguranças que estavam prestes a serem esmagados pelas milhares de tietes loucas pra dar uns pegas no popstar. O olhar transtornado dele e dos guarda-costas era de puro pavor. Pensei rápido e agi de uma vez só para salvar a pele do ídolo e livrar nosso repórter do apuro com “la migra”. Abracei o loirinho, olhei para os seguranças e gritei: “venham comigo; sei de um caminho que vai salvar vocês”. Dei um pé na porta da sala de onde havia sido expulso momentos antes e sob o olhar espantado dos agentes de “la migra” adentrei com o americano de olhos azuis debaixo do braço e aquele dois armários por trás. Gritei aos federais que fechassem a porta e tentassem conter as milhares de fãs enquanto eu salvava nosso ídolo, qual retirei por aquela porta que dava saída para o saguão, evidentemente arrastando meu fotógrafo junto. Ao sairmos, fechei a porta, ordenei aos guarda-costas que não deixassem ninguém passar por ali, conduzi nosso artista a uma cabine telefônica no saguão antes que ele fosse reconhecido e pedi a ele que ligasse para seus contatos e NÃO saísse dali. Peguei o fotógrafo pelo braço e rapamos pra fora do aeroporto, quando pára um taxi a nossa frente e dele sai meu irmão, que me entrega uma chave e diz que havia esquecido de entregar no hostel, para onde eu devia voltar no mesmo taxi e usar a mesma chave de acesso, sem falar que ele havia ido embora, pois perderia o local, onde a fila de espera era grande. No caminho para a liberdade enchi meu prezado de colega de catiripapos corretivos, enquanto o motorista dava risadas. 

Meu irmão hoje vive em Cuba, onde é embaixador. O fotógrafo abandonou os riscos da reportagem e abriu aquele que é hoje um dos mais requisitados estúdios de imagens de São Paulo. E David Cassidy, a quem ajudei a escapar daquela vez, faleceu hoje.

terça-feira, 2 de maio de 2017

28 de Abril de 2017

   Guardem esta data! Assim como o 11 de Setembro de 2001 encerrou o século 20, o 28 de Abril de 2017 sepultou a esquerda brasileira. A partir de agora, quem acreditar num mundo à parte da liberdade e do capital, terá de escolher outra estratégia e abandonar as surradas doutrinas da revolução socialista, pois não mais poderá contar com a era dos sindicatos, que encerrou naquele dia. O Brasil e os brasileiros viram, assistiram, sofreram na pele e concluíram claramente que o acontecido na sexta-feira, onde a CUT e sucursais do sindicalismo pelego existente desde o Estado Novo de Vargas transformaram o país num inferno, estas foram enterradas após trágico velório público presenciado, com ampla cobertura das redes de TV.

   Ao se colocarem frontalmente contra a liberdade de ir e vir e não permitirem o cidadão de escolher se quer, ou não, participar de um movimento paredista decretado unilateralmente; ao bloquearem vias e transportes públicos; ao usarem da violência explícita contra quem tinha mais o que fazer, lideranças sindicais e seus soldados usaram de artifícios dignos das SS nazistas e da genocida milícia bolivariana, que só na última semana assassinou 29 pessoas livres na Venezuela. 

   Alguém escreveu e reproduzo aqui: "a esquerda perdeu. Perdeu a presidência do país. Perdeu o Congresso. Perdeu as principais cidades. Perdeu os principais estados.
E não apenas isso. A esquerda perdeu também o charme. Perdeu o discurso da pureza. Perdeu o encanto entre os mais jovens. Perdeu o monopólio da bondade.
Neste 28/04/2017, no entanto, ela passa por sua maior derrota.
A esquerda perdeu os trabalhadores. Perdeu o povo. Perdeu a grande massa.
Agora, não dá mais pra tapar o sol com a peneira. Se a esquerda quer ser relevante novamente ela precisará rasgar o véu da prepotência que lhe é muito peculiar e abraçar novos compromissos. Antes de qualquer coisa, é preciso assumir os erros. Pedir desculpas aos mais pobres pela década perdida. Questionar modelos autoritários implantados no continente. Abrir mão de bandidos de estimação… Não dá mais pra fingir que todo mundo que não concorda com ela é racista, machista, analfabeto político e tem nojo de pobre. A esquerda perdeu!”

   Vamos ser claros aqui: as reformas propostas pelo atual governo estão em discussão no parlamento e não há NENHUM direito sendo retirado, posto que esta CLT fascista não traz direitos e sim imposições que mais se assemelham ao período escravagista. Os únicos direitos contra os quais os radicais protestaram foram os direitos dos sindicalistas se alimentarem do sangue do trabalhador por meio da contribuição sindical obrigatória. 

   Em 28 de Abril, vimos acintosamente quem NÃO estava ao lado do trabalhador e da maioria dos brasileiros: o sindicalismo pelego e a esquerda que dele se nutre.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Como Traumatizar Uma Criança

   Não lembro por que motivo, mas naquele ano as aulas entraram dezembro adentro. Em toda minha infância morei em casa e nessas casas sempre houve galinheiro. Além das galinhas e claro, do galo, lá por agosto/setembro comprávamos um peruzinho pra engordar até o Natal, quando este morria na véspera do nascimento de Jesus.
   Eu voltava do colégio no ônibus do seu Mário, do qual desembarquei e ao chegar em frente ao portão de casa, vejo sair lá de dentro um gringo muito esquisito que morava num cortiço do outro lado da rua. Sabe esses tipos que parecem ter saído de um filme de terror preto e branco, de pele alva como papel, repleto de sardas que lhe cobriam inclusive a calva; 2 tufos de cabelo vermelho sobre as orelhas, poucos dentes na boca… o quadro do horror. 

   Pois esta figura saía lá de casa com um facão ensanguentado e as mãos cobertas de sangue, um sorriso banguela e malévolo e comentando ao me ver chegar: “tá feito!”

   Até eu descobrir que ele tinha matado apenas o peru que comeríamos no dia seguinte, uma enciclopédia de possibilidades passou em meus pensamentos. Quando o pai faleceu, eu ainda estava no colégio, deixamos de criar galinhas e o peru de Natal passou a ser comprado das fábricas de papelão catarinenses, mas eu ainda não consegui esquecer daquela imagem.

domingo, 23 de abril de 2017

O Cara Mais Azarado do Mundo

   Eu passava os fins de semana na Serra Gaúcha. Tinha casa em Canela e fui fazendo amizades, além daquele tanto de gente que sobe daqui pra passar o finde lá em cima. Certa feita descobrimos um boteco novo, onde fomos beber. O cara que atendia nos ouviu falar que a flor de dama da noite lá de casa tinha desabrochado e começou a falar da vida dele. Contou que adorava sair da casinha e que certa vez tomou um chá de dama da noite.

   Na noite referida saiu pra louquear pela barragem do Salto, no caminho pra São Xico. Lá encontrou uma lancha, na qual saltou dentro e conseguiu dar ignição. Zuniu pelo lago da barragem até que lá pelo meio do espelho d’água o motor da lancha explodiu. Ele conseguiu saltar pra fora e sobreviver, nadando até a margem mais próxima, onde chegou exaurido e com muito frio. Era noite e foi um busca de luz pra ver se alguém lhe dava abrigo, ou um alimento quente para comer. Viu a luz de algo que poderia ser um rancho e para lá se dirigiu.

   Quando finalmente chegou à casa, bateu, gritou, mas ninguém o atendeu. Tentou abrir a porta, mas esta estava trancada. Deu a volta pela casa e as janelas também estavam trancadas. Teve uma ideia genial, dessas que só doidão tem e subiu no telhado, de onde escorregou, caiu e tchibum dentro de um poço. Mais molhado e gelado que antes, estrebuchou, gritou, clamou por socorro, mas nada de socorro aparecer. Quando finalmente conseguiu se acalmar se deu conta que tinha uma chance de escalar pelas pedras da parede do poço. Uma tarefa hercúlea, mas que poderia significar sua derradeira chance de seguir vivo.

   Pedra após pedra o doidaço desafortunado escalou as paredes do poço, até que conseguiu chegar ao seu fim, colocando a cabeça pra fora daquele que parecia ser o definitivo covil e… dar de cara com o cano de uma espingarda. Com o susto, caiu pra trás, outra vez ao fundo do poço. Ouvia lá de cima os gritos: “não sei te encho de chumbo ou espero morrer afogado, bandido de uma figa”. Ele clamava por socorro. Jurou que não era bandido, que estava apenas procurando por abrigo, que era náufrago e só precisava descansar num local seco e tal. 


   Um bom tempo se passou até que o irado cidadão com a arma na mão se acalmou e jogo o balde com a corda ao maluco encharcado, permitindo que ele saísse do poço. Quando este tornou a sair daquele buraco molhado, viu que a polícia já tinha chegado ao local e tomou voz de prisão antes que pudesse falar qualquer coisa. Molhado, gelado e humilhado, foi para o xilindró curar sua doideira, de onde só saiu no outro dia, depois de contar sua história ao delegado e fazer um acordo para pagar pelos estragos causados às propriedades alheias, como o barco que explodiu e o telhado do rancho que estragou.

terça-feira, 18 de abril de 2017

O Marionete e O Mestre na Coxia

   Militando há anos pelo fim desse sistema que assola o Brasil, que viciou todas as possibilidades de chegar ao poder através do voto, tenho a convicção da existência de um cérebro maligno puxando as cordinhas. Especialmente depois de 2002, mas minha certeza de que o jogo sempre está jogado vem de uma década antes, desde a fatídica entrevista do então ministro da Fazenda, Rubens Ricúpero, ao sobrinho jornalista Carlos Monforte, na TV Globo, onde confidências impublicáveis vazaram no ar através da parabólicas de satélites, cujas programações não acompanhavam os "breakes" comerciais das grades da TV aberta. Aquilo não tinha como ter ocorrido por acaso. Alguém pensou na possibilidade e de como explorar o fato.

   Desde a semana passada o Brasil inteiro já sabe quem era o cérebro que pensava no lugar de Lula. O sindicalista pernambucano pode ser um falastrão genial, com absoluto controle sobre as massas e um psicopata típico capaz de mentir em todas as ocasiões, sem qualquer constrangimento, mas seu forte não são raciocínio e planejamento. Isso é típico de quem não aparece em cena. Não é o boneco: é o ventríloquo. Ou melhor ainda, é quem está na coxia puxando as cordinhas enquanto o boneco canta, dança e sapateia, encantando e iludindo a platéia.

   A colaboração premiada de Emílio Odebrecht escancara ao país que até leis, na forma de Medidas Provisórias, eram criadas dentro da empreiteira baiana. Enquanto o fantoche de língua presa vociferava e cuspia perdigotos sobre a oposição, era um empresário malévolo quem puxava os cordões ditando como e pra onde o dinheiro dos pagadores de impostos devia andar. O que teve sequência no governo da sucessora do mesmo partido. Ou seja: ao longo de 13 anos o país foi governado através de um propinoduto, por um cérebro do mal que não tinha nada a perder, só ganhou. Ganhou muito. Bilhões e bilhões de Reais. Fez o que quis com a Petrobras e o BNDES.

   O país agora que se prepare para apertar o cinto, pois vai levar anos até recuperar a organização da economia, da mesma forma que a Lava-Jato está pondo bandidos na cadeia e recuperando Bilhões de Reais, no velho formato da justiça, que tarda mas não falha.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

O Ovo de Uma Nova Era?

   Se fosse planejado não seria tão bem feito. Tudo começou com o Tamagotchi. O sonho de 10 entre 10 crianças da década de 90, do século passado. A primeira porrinhola eletrônica que não saía das mãos da gurizada. Pra quem não se lembra, ou não viveu à época era uma espécie de ovo eletrônico que cabia nas mãos, com uma telinha virtual onde se criava um ser chamado Tamagotchi. Tinha que alimentar, cuidar, botar pra dormir, acordar etc. Lembro da primeira vez que minha filha comentou soluçando que deixou seu Tamagotchi morrer por falta de cuidado. Acho que isso a ensinou uma série de coisas a respeito da responsabilidade sobre quem se cativa(desculpa essa Exupéry), tanto que o catiorrineo dela, @Babaganush o cão celebridade -instagram #BabaAndJojo - é tratado com toda a atenção do mundo e leva uma vida invejável sob seus cuidados.

   Já existiam as agendas eletrônicas e chegavam os games portáteis. Eu não me desgrudava de minha agenda eletrônica, fiel ferramenta pra todas as horas. Na redação e em casa já gastava meu tempo no PC, mas quem andava comigo era aquele portátil que me ajudava horrores. Uma vez, o ano era 1994, os amigos montaram uma cervejaria mto bem sucedida, onde aconteciam os melhores shows musicais locais. Num belo dia trouxeram o mago da guitarra, Celso Blues Boy, para um show, mas ele ficou 3 dias, pois descobriu que tinha uma filha por aqui -essas coisas que acontecem com artista que tá sempre na estrada. Depois de algumas horas e cervejas, batendo papo, ele notou que eu fazia muitas perguntas sobre a vida dele e intimou: “vem cá, tá me entrevistando? Pq se tiver, depois de eu contar minha vida, não acha que deveria anotar o que estou falando?” Dei uma baita gargalhada ao mesmo tempo que tirava as mãos debaixo da mesa, mostrando a agenda em minhas mãos: “tá td registrado aqui, meu artista”. Ele ficou impressionado, pois não era praxe na época, ao que comentei: “destreza meu amigo, vc usa a sua na alma e cordas da guitarra, eu uso a minha nas teclas onde escrevo”. Tem gente que acha que esse hábito surgiu com os smartphones uma década depois…

   Os celulares dos anos 90 eram basicamente telefones com pouquíssimas funcionalidades a mais. Só passaram a ter alguma importância além com o advento das centrais de telefonia digitais. Não eram ferramentas que se usasse além da necessidade. Ao mesmo tempo os games portáteis, estes já não saíam das mãos dos adolescentes, aquela geração que se acostumou com o Tamagotchi sempre à mão. Ainda não havia a conectividade da internet onipresente de hj, mas o hábito dessa geração foi desenvolvendo como cultura, até a chegada dos smartphones e, a partir daí, conhecemos bem o desenrolar da história.



   Pois qual não foi minha supresa esta semana quando descubro que o Tamagotchi voltou! Isso mesmo; 20 anos depois a Bandai, fabricante do pet digital anuncia o retorno do predecessor da cultura que levou toda uma geração a passar todas as horas em que está acordada com um dispositivo portátil digital às mãos. Estaremos vivendo o fechamento de um ciclo? Será que, após o retorno do Tamagotchi surgirá uma nova era onde as novas gerações não mais ficarão mergulhadas nas palmas de suas mãos e voltarão a erguer as cabeças e olhar nos olhos dos outros?